Círculo Monárquico de Ponta Grossa


O Agente Moderador (parte II)

(novembro de 2002, pouco depois da eleição presidencial)

            Agora, como poderá ser verdadeiro e justo um árbitro que detém este poder para equilibrar o cenário político, se este poder veio através de padrinhos e facções políticas, e através de modismos e revoltas efêmeras? Para esta função é preciso alguém com imparcialidade e independência intocável, um homem incontestavelmente preparado e austero, que encarne a nação inteira, e não facções políticas. Obviamente, para esta função, hão de concordar comigo, que é exigido um prazo longo de atividade, e sendo este “funcionário” fonte da estabilidade política (e automaticamente econômica), de neutralidade e perenidade, são necessárias uma continuidade e uma unidade em torno de sua pessoa. É fato da experiência humana que a moderação só é exercida a pleno vapor quando estas condições são satisfeitas.

            Talvez estas condições para um bom agente moderador, ou melhor denominando, para um bom Chefe de Estado sejam satisfeitas em parte por alguns caudilhos existentes por aí, claro que nunca de maneira satisfatória. Ditaduras são terríveis, e a estabilidade não precisa ser atingida desta maneira. Além do mais, trocar instabilidade por censura não deve ser grande negócio. E ditadores não são imparciais, sempre agem em nome de alguma facção, seja em Cuba, seja no Iraque.

            O fato indiscutível é que o progresso e a estabilidade só caminham juntos com a democracia quando rixas ou violências políticas são substituídas por diversidades construtivas, equilibradas pelo agente moderador, que é o Chefe de Estado, desde que este possua os atributos já mencionados de imparcialidade, austeridade, independência, etc. Dependência só com o bem de seu povo, parcialidade só em favor do bem comum, e austeridade por encarnar a nação perfeitamente, sendo assessorado por expoentes da vida pública nacional, gozando da confiança necessária. É este o tipo de Chefe de Estado que precisamos. Então, não consigo entender como me repreendem quando digo que anulo meu voto para presidente, como se adiantasse “escolher” Fulano ou Beltrano. Menos ainda entendo que pessoas tão esclarecidas não enxerguem o óbvio, não vejam que o erro está no sistema político, e não no homem ou na facção que se reveza no poder. Pelo menos assumamos que os problemas mais sérios do Brasil só podem ser realmente resolvidos, sem improvisos imediatistas visando eleições, se a política for levada a sério, e a democracia, a soberania e a cidadania deixarem de serem confundidas com o ridículo ato de votar em presidentes!

            Então não me venham com desculpas de que o próximo presidente pouco poderá fazer, porque o anterior, acometido obviamente por uma maldade transcendental, deixou o país arrebentado. Esta desculpa vem sendo dada há mais de um século. Só quem possui uma visão política realmente muito limitada acredita nesta lorota, e prefere não ver onde realmente está o erro, agindo como um boi de matadouro, votando e vibrando com a “maior festa da democracia”. Sinceramente, quero me preocupar com as próximas gerações, e não com as próximas eleições. Creio que já perceberam sobre o que estou falando!

 

Saudações monárquicas.

 

Adriano Pereira Guilherme

 



Escrito por Adriano P. Gulherme às 11h22
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Contato e comentários

Caros amigos monarquistas. Aguardem atualizações (agente moderador, parte II, dentre outros)! Por favor, comentem e, principalmente, contate-nos: monarquiapg@hotmail.com

Saudações monárquicas

Adriano



Escrito por Adriano P. Gulherme às 13h52
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O Agente Moderador (parte I)

(Adriano Pereira Guilherme, novembro 2002)

 

            Um homem que muito respeito disse-me certa vez que as diferenças, as adversidades, ou de maneira mais generalizada, que todas as divergências políticas fazem com que ocorra um crescimento, um melhoramento no cenário político e ideológico em questão, no caso, o cenário brasileiro.

            Sou obrigado a concordar, em parte, com esta afirmação. Realmente, é na exposição das idéias, expostas por várias fontes e analisadas por diversos prismas ideológicos, mesmo que de maneira contestatória e simplesmente leiga, que se exerce a plena democracia, pelo menos até onde ela é benéfica, ou melhor, quando estas diferenças se dão por racionalidade, e não por paixões efêmeras e por marketing. O fato do crescimento de ideário político através de divergências é bem vindo, desde que o bem comum seja atendido, sem a troca de diversidade ideológica por rixa política, de realidade por sofisma, de vontade por mesquinharia. Até que ponto estas divergências se tornam rixas e guerras ideológicas, fazendo com que toda a estrutura política venha a falir, é a questão mais séria a ser mostrada.

            É com convicção e embasamento que defendo a representatividade democrática somente através da eleição direta para o legislativo. A chefia de governo, obviamente, pelo caráter imediatista e responsável pela dinâmica de curto prazo normalmente deve seguir as tendências também efêmeras do povo, ou da “maioria” dele, o que se torna um tanto arbitrário levando em conta um pluralismo partidário inconseqüente. Enfim, a Chefia de governo deveria seguir os anseios imediatos da opinião pública, sendo a representante desta entidade pública abstrata, que chamamos de povo, salvo em períodos de crise grave, onde uma austeridade maior é exigida. Mas que tipo de sociedade barbarizada é esta que privilegia o efêmero em detrimento do perene? Que tipo de estrutura política é esta, onde as tendências quase modistas e exacerbadamente críticas agem desenfreadas? É o sistema político brasileiro, e “muito coincidentemente” o sistema político adotado pelos países menos desenvolvidos.

            Falta-nos o agente que visa a política de longo prazo, deixando de nos dar o modelo de político estereotipado, ou melhor, falta a peça que elabora a estratégia nacional perene, sólida, peça esta essencial para a evolução racional e equilibrada da sociedade como um todo. A este agente poderíamos chamar de agente moderador. A moderação política serve, como já prevista pelo nome, para moderar as incoerências e equilibrar as discrepâncias, tanto entre os poderes, quanto nos próprios poderes. O que acontece no nosso modelo político é uma sobreposição do executivo sobre o legislativo e o judiciário, e a conseqüente falência política e injustiça na representação, pois o legislativo não possui a força que deveria. Como não existe o agente moderador, a incoerência acaba prevalecendo, e também a falta de credibilidade e de prioridades nacionais, pois acaba ocorrendo a troca do crescimento de idéias pela guerra política. Então, vemos que este poder de moderar é extremamente importante, pois só assim o bem comum, - e não o interesse efêmero e parcial das facções - é realizado. É esta entidade moderadora que julga até que ponto as divergências são guerras ideológicas e rixas políticas, ou apenas diversidades políticas construtivas, racionais e legítimas.

 



Escrito por Adriano P. Gulherme às 16h31
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"O mal grandíssimo e irremediável das instituições republicanas é deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado, e desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade!"

"O Império era uma escola de estadistas. A república é uma praça de negócios!"

(Frases de Rui Barbosa, inicialmente um ferrenho republicano!)



Escrito por Adriano P. Gulherme às 21h49
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Sua Majestade Imperial, o Augusto Senhor D. Luiz de Orleans e Bragança

(de jure D. Luiz I)



Escrito por Adriano P. Gulherme às 21h31
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Nossas linda bandeira imperial, para quem desconhece!



Escrito por Adriano P. Gulherme às 21h27
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Como melhorar o regime?

 

Recentemente, em um jornal de grande circulação, foi publicado um artigo intitulado "Melhorar o Regime". Escrito por pessoa culta, começa observando as constantes melhorias introduzidas no parlamentarismo do Reino Unido e noutros países mais desenvolvidos que adotam esse sistema, para, logo em seguida, perguntar: Houve alguma melhoria no presidencialismo praticado na América Latina?

Ao limitar a questão à América Latina, o articulista, certamente, quis se referir ao Brasil e seus vizinhos. No entanto, a mesma pergunta pode ser aplicada a todas as repúblicas presidencialistas do mundo que, à exceção dos Estados Unidos da América, são todas menos desenvolvidas.

Continuando, o texto menciona que as Monarquias da Europa e do Japão, todas parlamentares, são mais desenvolvidas e se mostram mais eficazes do que todas as repúblicas presidencialistas, salvo a exceção mencionada. Infelizmente, o autor, neste ponto, abandona sua análise dos bons resultados apresentados pelos países que adotam a Monarquia Parlamentar, voltando a criticar a república presidencialista, forma política adotada pelos povos em desenvolvimento (particularmente, sempre entendi que a expressão "em desenvolvimento" é um eufemismo criado para camuflar a verdade: "povos atrasados"). Chega mesmo a afirmar, com razão, que o presidencialismo não é adequada para os países atrasados.

O autor segue até o final criticando o presidencialismo, mas não apresenta uma solução. Se limita a passar o problema para os cientistas políticos.

Cabe então perguntar: Por que o articulista, ciente que os resultados apresentados pelas Monarquias Parlamentares são superiores aos das repúblicas presidencialistas, deixa de examinar a questão da forma (monarquia ou república), e se contenta em descrever as mazelas das repúblicas presidenciais?

Sua inclinação quanto ao sistema de governo (parlamentar ou presidencial), embora não revelada de plano, tende ao parlamentarismo. Estamos de acordo com a opção parlamentar, e creio que a maioria dos nossos cientistas políticos têm a mesma opinião. E quanto à forma?

Que espécie de preconceito, pode-se perguntar, leva algumas pessoas a não considerar a forma monárquica, mesmo quando sabem que a melhor solução para a arquitetura política de um país é a combinação do sistema parlamentar com a forma monárquica?

Aqui está o cerne da questão. O articulista, ao deixar de apresentar a sua sugestão sobre a composição mais adequada de forma e sistema de governo, deixa escapar, nas entrelinhas, a constatação do óbvio: a dificuldade não está na evolução da arquitetura política. O fato é que a forma republicana não tem como desenvolver. Até mesmo nos países que adotam a república parlamentar, cresce a opinião de que o sistema funcionaria melhor se o Chefe de Estado não fosse um político ligado aos partidos, bem como, o que é opinião geral, se o mandato dos presidentes fosse mais longo, bem mais longo do que atualmente é praticado.

Neste caso, a questão seria: Qual é a arquitetura política que combina o sistema parlamentar com uma chefia de estado exercida por um cidadão não ligado aos partidos políticos, e cujo mandato é bem maior do que o dos atuais presidentes de repúblicas?

Contate-nos: monarquiapg@hotmail.com



Escrito por Adriano P. Gulherme às 22h02
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Duas Mentiras

 

Existem algumas afirmações falsas a respeito do nosso Brasil que, de tão repetidas, acabam parecendo verdades. Parece que as mais comuns são as seguintes:

1- O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão;

2- No plebiscito de 1993, a república venceu.

As duas são falsas. Os fatos as desmentem.

O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Arábia Saudita, onde só foi abolida em 1962. E não foram apenas os países árabes que adentraram pelo século XX mantendo a escravidão.

No nosso Brasil, a abolição da escravatura ocorreu em maio de 1888. Em alguns estados de nossa terra, bem antes desta data, nossos irmão negros já eram livres.

Se compararmos o Brasil com os Estados Unidos, logo veremos que os norte-americanos só aboliram a escravatura vinte e poucos anos antes da Lei Áurea. (Em termos de históricos, este intervalo de tempo é mínimo.)

Há de se ter também em conta que, em nossa terra, a abolição foi pacífica. Na América do Norte, foi preciso uma guerra civil que destruiu grande parte do país. Os estados do sul e sua população foram massacrados.

Mas não se pode atribuir à abolição a posição de fato único na libertação dos escravos. Quando da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a lei do ventre-livre e a dos sexagenários já haviam reduzido o número de escravos a bem menos da metade do que era antes.

Agora, o plebiscito. Aqui não há muito o que ser discutido. Apurados os votos, os números mostraram que, em mais de um século, a república não conseguiu sensibilizar a alma brasileira. Os números mostram de forma clara que o número de votos que recebeu ficou abaixo dos cinqüenta por cento do eleitorado.

A república perdeu. Não conseguiu a maioria dos votos necessária para legitimá-la.

Para quem esperava uma consagração incontestável da forma republicana de governo, o resultado, além de surpreendente, foi um desastre.

Para os monarquistas, uma vitória. Seus milhões de votos mostraram que é uma força respeitável...

 

Contate-nos: monarquiapg@hotmail.com



Escrito por Adriano P. Gulherme às 21h47
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Eleição ou preparação do chefe de estado

 

É importante, no estudo das formas de governo, que se esclareça com o devido cuidado a opção que defende a adequada preparação do chefe de estado, o que só é possível nas monarquias, onde a educação do príncipe herdeiro é dirigida para as funções que irá desempenhar, em contraposição à situação do presidente, no caso republicano, cuja escolha através de uma eleição não permite igual preparo, pois o escolhido só é conhecido poucos dias antes de sua posse.

Sob este aspecto, dentre tantos outros, a forma monárquica de governo mostra a sua superioridade sobre as pretensões republicanas. O príncipe, desde o seu nascimento, já é conhecido pelo seu povo como o futuro chefe de estado, permitindo que lhe seja dada uma educação orientada para as funções que irá desempenhar.

Além de uma preparação formal, o futuro rei ou imperador convive com as questões de estado no seio de sua própria família, o que confere à sua preparação um aspecto importantíssimo: a visão histórica. Seus ancestrais, durante séculos, também foram chefes de estado. A história de sua família se confunde com a história de seu povo. Daí resulta uma experiência acumulada impar, difícil de ser transmitida por outro meio que não o da longa convivência.

Por outro lado, qual é a preparação de um presidente numa república? A bem da verdade, os chefes de estado republicanos não são preparados especificamente para o cargo que ocupam. Não é próprio das repúblicas preparar aqueles que poderão vir a ocupar o cargo de presidente. Se o fizesse, ou não seria uma república, pois os futuros mandatários deveriam ser escolhidos já na mais tenra idade, o que dispensaria as eleições presidenciais, ou teria que preparar todo o povo para exercer a chefia do estado, o que é impraticável.

Por conseqüência, o exercício da chefia de estado nas repúblicas sempre terá a indelével característica de coisa improvisada (segundo Eduardo Prado, a república instalada no Brasil, após o golpe militar de 15 de Novembro de 1889, é uma ‘Ditadura Improvisada"). E nem poderia ser de outra forma: o próprio presidente é improvisado

Contate-nos: monarquiapg@hotmail.com

 

 



Escrito por Adriano P. Gulherme às 21h31
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